Bitcoin recua para US$ 76.877 após discurso mais duro de Kevin Warsh em Jackson Hole
Resumo de mercado por IA
O Bitcoin sofreu uma forte queda depois que os comentários do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole foram interpretados como hawkish, elevando as probabilidades de um aumento de juros em setembro e desencadeando pesadas liquidações de posições compradas (~US$ 481 milhões). O movimento destaca uma sensibilidade renovada do apetite ao risco em cripto às taxas de juros dos EUA e aos rendimentos reais. Embora as entradas em ETFs spot de BTC permaneçam fortes, o impulso de curto prazo é de redução de risco, enquanto os mercados aguardam orientações mais claras antes da próxima decisão do Fed.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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O bitcoin caiu até US$ 76.877 na sexta-feira, após o primeiro discurso do presidente do Fed, Kevin Warsh, em Jackson Hole. A criptomoeda encerrou o dia a US$ 77.557, com queda de 3,39%, depois de ter tocado durante a madrugada a máxima de US$ 81.455.
A região de US$ 81.455 ficou dentro de uma zona de resistência que, ao longo deste ano, limitou várias tentativas de rompimento. No evento, Warsh afirmou que o Federal Reserve precisa ver a inflação avançar de forma clara e em velocidade suficiente rumo à meta antes de considerar o trabalho concluído, acrescentando que o banco central ainda tem tarefas a cumprir. O mercado leu as declarações como "hawkish".
Com isso, as apostas de alta de juros em setembro subiram para 55,7%, segundo o FedWatch, do CME Group, ante 35,4% no dia anterior. O CoinGlass registrou cerca de US$ 481 milhões em liquidações no mercado cripto nas 24 horas em torno do discurso, com posições compradas respondendo por mais de US$ 360 milhões.
No mercado "BTC next move" da Myriad, a probabilidade atribuída foi de 77% para um movimento até US$ 84.000 e de 23% para uma queda até US$ 55.000. Esse mercado está ativo desde o fim de fevereiro, já acumulou US$ 231.000 em volume negociado e não tem data fixa de resolução.
Nos Estados Unidos, os ETFs spot de bitcoin somaram entradas de US$ 2,8 bilhões até quarta-feira, estendendo o fluxo positivo por oito sessões consecutivas, a sequência mais longa desde abril. Na leitura técnica otimista, o recuo é visto como uma fase de "digestão" do movimento, não como reversão. O RSI do bitcoin estava em 69,7, e o ADX, perto de 39,5.
No preço, o ativo seguia dentro do movimento que vai da mínima de junho, perto de US$ 68.858, até a máxima da semana, próxima de US$ 81.455. Operadores apontaram a faixa entre US$ 73.670 e US$ 75.157 como a primeira área a observar caso a venda se intensifique. Um fechamento abaixo desse intervalo colocaria em xeque a média móvel de 50 semanas e a estrutura de rompimento de junho. Na ponta de alta, a região entre US$ 81.000 e US$ 82.500 continuou sendo o patamar que os compradores precisam reconquistar para buscar novas máximas.
No mercado de renda fixa, o Departamento do Tesouro anunciou planos de ao menos dobrar os recompras de títulos de prazos longos a partir de 9 de setembro, medida que deu suporte ao trecho do mercado que vinha enfrentando demanda fraca desde junho. Juros longos mais baixos e um dólar mais fraco reacenderam a chamada "debasement trade", que sustentou a alta do bitcoin de cerca de US$ 62.000 para US$ 80.000 neste mês.
Warsh não indicou um caminho explícito para os juros, e o mercado segue sem um sinal claro até a próxima decisão do Fed. O índice de preços PCE rodava a 3,7% ao ano, acima da meta de 2% do banco central. Warsh também não deu prazo para a inflação voltar a esse objetivo.