BlackRock vai lançar ETF de renda com bitcoin e mira retorno anual de 15%

A BlackRock lança na próxima terça-feira o iShares Bitcoin Premium Income ETF, de ticker BITA, com a proposta de transformar a volatilidade histórica do bitcoin em uma fonte recorrente de renda para investidores institucionais. A estratégia combina exposição ao preço do bitcoin por meio de posições no IBIT, o ETF spot de bitcoin da gestora, com a venda sistemática de opções de compra (covered calls). Com isso, o fundo busca capturar prêmios de opções: se o bitcoin não superar o preço acordado no vencimento, o prêmio fica integralmente com o vendedor; se superar, o fundo compensa a diferença, o que limita parte do ganho, mas mantém alguma participação na alta. A Tagus Capital estimou, em comunicado por e-mail, que o BITA pretende atingir rendimento anual de 15% e reter cerca de 70% da participação no potencial de valorização do ativo subjacente. A estrutura mira instituições que priorizam fluxo de caixa mais estável em vez de maximizar retorno. O racional se apoia em uma característica do BTC: mesmo em períodos relativamente calmos, a volatilidade tende a ser maior do que a de instrumentos tradicionais, elevando o custo das opções e ampliando os prêmios para quem as vende. Há, porém, efeitos colaterais potenciais. A venda recorrente de calls em escala institucional aumenta a oferta desse tipo de proteção no mercado e pode pressionar a volatilidade implícita do bitcoin para baixo — indicador que vem recuando de forma consistente desde 2022, em parte associada ao "call overwriting". Analistas avaliam que uma adoção ainda mais ampla pode intensificar esse movimento. No mercado à vista, a recente recuperação do bitcoin de US$ 59.000 para acima de US$ 66.000 ocorreu sem forte apoio institucional. Nos Estados Unidos, os ETFs spot registraram saída líquida de US$ 64 milhões na segunda-feira, acumulando resgates de US$ 2,1 bilhões no mês até agora.