Analista da Charles Schwab estima valor justo do Bitcoin em US$ 95 mil com base no custo de mineração
Resumo de mercado por IA
A equipe de pesquisa de ativos digitais da Charles Schwab publicou uma estrutura de custos de mineração que estima o "valor justo" de curto prazo do Bitcoin em torno de US$ 95.000 (custo marginal de mineradores ineficientes) e destaca ~US$ 60.000 como uma zona de ponto de equilíbrio de mineradores eficientes alinhada com a média móvel de 200 semanas. Embora não seja, por si só, um catalisador, a análise pode moldar narrativas institucionais ao ancorar a avaliação em uma economia de produção observável e ao enquadrar o estresse de queda para os mineradores quando os preços ficam abaixo do custo marginal.
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Uma das maiores corretoras de Wall Street colocou um número no "valor justo" do Bitcoin com um critério pouco sujeito a modismos: o custo de produção. Jim Ferraioli, diretor de Pesquisa e Estratégia de Moedas Digitais da Charles Schwab, estima o valor justo em US$ 95.000, tomando como referência quanto custa para os mineradores menos eficientes produzir uma unidade da criptomoeda.
Com dados da Glassnode, o modelo separa o setor em dois grupos. Mineradores eficientes — com equipamentos mais modernos e acesso a energia barata — conseguem produzir Bitcoin por cerca de US$ 60.000 por moeda. Já os mineradores ineficientes, com rigs antigos ou contas de eletricidade mais elevadas, enfrentam um custo próximo de US$ 95.000. É esse patamar que Ferraioli trata como referência de valor justo no curto prazo, geralmente com um pequeno prêmio.
A lógica segue a precificação de commodities: se o custo para minerar gira em torno de US$ 95.000, o preço de mercado tende a negociar nesse nível ou acima para manter viável a base mais ampla de mineração. No outro extremo, a marca de US$ 60.000 funciona como suporte fundamental — um piso abaixo do qual até as operações mais eficientes começam a sentir pressão.
O patamar de US$ 60.000 também converge com a média móvel de 200 semanas do Bitcoin, hoje na faixa de US$ 60.000 a US$ 62.000, reforçando a tese de custo de produção com um sinal técnico adicional.
O tema ganhou ainda mais relevância em momentos de 2026, quando o Bitcoin chegou a cair abaixo de US$ 80.000. Nesses níveis, uma parcela relevante do setor operava "no vermelho" frente ao custo de produção estimado em US$ 95.000. Nas análises entre junho e julho, a Schwab seguiu destacando esses pisos de custo como principal indicador fundamental, mesmo com o preço permanecendo bem abaixo do valor justo projetado.
A região de US$ 95.000 também aparece como resistência em ciclos anteriores, o que sugere que não se trata apenas de um piso teórico: é um ponto em que a dinâmica do mercado já se manifestou antes.
Ferraioli chegou à Schwab em 2025, vindo do Morgan Stanley. A empresa vem ampliando de forma sistemática sua capacidade de pesquisa em criptoativos, e o modelo baseado em economia da mineração é o tipo de abordagem fundamentalista normalmente exigida por investidores institucionais antes de alocar capital. Esse tipo de estrutura ganha credibilidade no mercado tradicional por reproduzir métricas usadas há décadas em commodities, com insumos mensuráveis como custo de energia, depreciação de hardware e despesas de infraestrutura.
Para o investidor, o recado do framework é direto: se o Bitcoin negocia muito abaixo de US$ 95.000, o mercado estaria precificando o ativo abaixo do custo marginal de produção. Já a faixa de US$ 60.000 vira a linha divisória, por concentrar o ponto de equilíbrio dos mineradores eficientes, o suporte técnico da média móvel de 200 semanas e, segundo o modelo, onde poderiam surgir as oportunidades de compra mais agressivas em correções.
O risco é que liquidações guiadas por sentimento derrubem o preço abaixo do custo de produção por períodos prolongados — como ocorreu em 2022. Além disso, a oferta não se ajusta imediatamente: muitos mineradores seguem operando no prejuízo por meses à espera de uma recuperação, adiando a contração de oferta que sustentaria os preços na lógica do modelo.