Ataque esvazia US$ 70 milhões em bitcoin de carteiras frias sem tocar nos dispositivos
Resumo de mercado por IA
A Galaxy Research detalha uma varredura de US$ 70M de 1.196 carteiras de BTC por meio de uma fraqueza na geração de chaves da Coldcard, na qual as seeds eram reproduzíveis sem tocar nos dispositivos. As drenagens em estilo de lote e os recursos parados sugerem enumeração sistemática e possíveis ondas subsequentes, enquanto os usuários não conseguem testar de forma confiável a própria exposição. O incidente desafia suposições sobre a segurança de carteiras de hardware, levantando preocupações de custódia no curto prazo e de risco operacional em toda a base de detentores de Bitcoin e provedores de serviços.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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Um ataque drenou mais de 1.000 bitcoins — cerca de US$ 70 milhões — de 1.196 carteiras em uma janela de 41 minutos em 30 de julho, quase o dobro do valor inicialmente divulgado. A Galaxy Research reconstituiu o episódio na sexta-feira e identificou a varredura de 1.082,65 BTC entre 01:10 e 01:51 UTC, em seis blocos. Três blocos intermediários não tiveram movimentações, sinal de que as transações foram disparadas em lotes. Os recursos permanecem parados em quatro endereços.
O total cresceu porque os primeiros relatos capturaram apenas um desses endereços. Embora o montante seja menor do que o de alguns grandes ataques deste ano, o que chama atenção é o método: em vez de invadir uma corretora, enganar um contrato ou roubar uma chave por phishing, o atacante não precisou acessar o dispositivo da vítima. Isso atinge o principal argumento das hardware wallets: manter a chave em um equipamento que nunca se conecta à internet.
A investigação aponta para um problema no processo de geração da "seed", o número-base do qual derivam endereços e chaves privadas. No caso da Coldcard, o firmware deveria obter essa seed de um gerador dedicado de aleatoriedade em hardware. Uma configuração interna de compilação instruía o sistema a ignorar esse gerador, e uma checagem em uma biblioteca de suporte verificava apenas se a configuração existia, não se estava ativada. Com isso, a geração de chaves recuava para um substituto de software alimentado pelo número de série do chip e por registros do relógio.
Como o número de série é um dado fixo de fábrica e os valores do relógio podem ser estimados ou medidos em um dispositivo equivalente, o espaço de chaves possíveis encolheu drasticamente: de praticamente infinito para algo enumerável. Equipes de segurança concluíram que, nos modelos mais antigos Mk2 e Mk3 (linhas da Coldcard), as chaves poderiam ser determinadas; nos modelos Mk4, Q e Mk5, o universo teria ficado em torno de quatro bilhões de possibilidades — um número grande para humanos, pequeno para computadores.
O ataque pode ser executado inteiramente do lado do invasor: ele gera seeds candidatas em seu próprio hardware, deriva os endereços correspondentes e compara com a blockchain pública. Em nenhum momento o dispositivo da vítima é usado; ele poderia estar desligado e guardado em um cofre em outro continente. A análise da Galaxy aponta sinais desse processo. Das carteiras drenadas, 1.183 usavam o formato nativo segwit, sete um padrão mais antigo e seis um ainda mais antigo. A presença de três formatos indica varredura sistemática, testando cada seed candidata contra todos os caminhos de derivação possíveis.
A Galaxy alertou que novas ondas são prováveis caso os usuários não movam os fundos. Também não há como o proprietário confirmar se está exposto: não existe um teste local que revele se a seed caiu dentro do intervalo reproduzível. A Coinkite, fabricante da Coldcard, emitiu alerta para donos do Mk3 e afirma que os dispositivos mais novos não são afetados. Já um relatório da Block inclui Mk2, Mk4, Q e Mk5 no escopo. Até que o quadro seja esclarecido, quem gerou seed no firmware afetado precisa assumir o pior, não verificar.
O operador, porém, teria cometido um erro. Clay Garrett, da Block, disse no X que o invasor usou uma conta paga de um "provedor bem conhecido de dados de blockchain" para consultar os endereços de origem durante as varreduras, e que os logs internos do provedor teriam correspondido ao fluxo suspeito com "especificidade extraordinária" — incluindo número, horário e sequência das requisições. O provedor, ao que tudo indica, prestava serviços comuns sem indícios do uso final. A Block afirmou ter repassado as informações às autoridades.
O caso expõe uma mudança de risco: o armazenamento a frio promete que a chave é impossível de adivinhar. Muitos interpretaram isso como impossível de alcançar. Só que o custo de encontrar e explorar falhas na primeira promessa vem caindo. Na terça-feira, a Anthropic publicou uma pesquisa indicando que um de seus modelos reduziu pela metade a segurança de um candidato a algoritmo pós-quântico em 60 horas, apesar de o desenho ter resistido a dois anos de revisão especializada. Guardar a chave com segurança passou a ser a parte mais fácil do problema.