Falha silenciosa de PRNG na Coldcard teria causado perdas de US$ 86 milhões em Bitcoin ao longo de cinco anos

Resumo de mercado por IA
A Galaxy Research mapeou perdas confirmadas de ~1.367 BTC (~US$ 86–US$ 89 milhões) ligadas a uma falha de PRNG no firmware da Coldcard que enfraqueceu a entropia da seed por anos, permitindo roubo sem phishing, acesso físico ou erro do usuário. A escala e a natureza "silenciosa" do exploit desafiam suposições sobre a segurança da autocustódia e podem pressionar o apetite por risco no curto prazo, aumentar o escrutínio sobre custódia e elevar a demanda por forense onchain, já que as moedas roubadas permanecem em grande parte não gastas.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
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Uma vulnerabilidade em um gerador de números pseudoaleatórios (PRNG) embutida no firmware da carteira de hardware Coldcard desde março de 2021 levou à perda confirmada de 1.367 BTC (cerca de US$ 86 milhões) distribuídos por 4.585 endereços, segundo um mapeamento on-chain divulgado pela Galaxy Research em 2 de agosto de 2026. Pelo volume de perdas confirmadas, o episódio é apontado como o maior hack já registrado envolvendo carteiras de hardware de Bitcoin. A exploração não exigiu phishing, acesso físico ao dispositivo nem erro do usuário. A Galaxy Research afirma ter identificado uma terceira onda de drenagem associada ao que considera endereços gerados por Coldcard, na qual 207,7294 BTC foram retirados. Com isso, a estimativa observada do caso passou a 1.367,05 BTC (aproximadamente US$ 88,6 milhões) em 4.585 endereços, conforme atualização publicada em 1º de agosto de 2026. O caso reforça um ponto estrutural para a autocustódia: a segurança de carteiras, sejam de hardware ou software, depende integralmente da qualidade da entropia usada na geração da seed. Segundo a análise, um único macro de pré-processador mal configurado foi suficiente para degradar esse pilar por anos sem gerar sinais evidentes. No mercado, o episódio ocorre enquanto o BTC é negociado em queda de 1,4% no dia, a US$ 62.250, após uma semana volátil em que recuou de acima de US$ 65.000. O volume em 24 horas está em US$ 16,9 bilhões, abaixo dos mais de US$ 20 bilhões do dia anterior (fonte: TradingView). Como a falha teria ocorrido A causa-raiz identificada pela equipe de engenharia da Block estaria na biblioteca libngu da Coldcard. A Coinkite configurou um parâmetro como zero para desativar o RNG do MicroPython, com a intenção de usar o gerador de números aleatórios verdadeiro (TRNG) do hardware. O problema, segundo o relatório, é que a checagem de proteção na libngu validava apenas se o macro estava definido, permitindo que o valor zero passasse. Com isso, o MicroPython compilou sem a chamada ao RNG de hardware do STM32 e passou a depender do Yasmarang, um PRNG de software com cerca de 40 bits de entropia efetiva, bem abaixo dos 128 bits esperados para uma frase-semente BIP39. Modelos mais recentes (Mk4, Mk5 e Q) teriam melhorado para uma entropia efetiva estimada em 72 bits, ainda aquém do ideal. A diferença entre 40 bits e 128 bits é considerada crítica por reduzir o custo de ataque contra seeds fracas. Cronologia e extensão Em 30 de julho de 2026, a Coinkite publicou um alerta de segurança poucas horas antes de um ataque que teria drenado aproximadamente 594 BTC de 500 endereços. Outras duas ondas foram rastreadas, totalizando 1.367,05 BTC em 4.585 endereços até 2 de agosto. A maior parte do Bitcoin roubado segue sem movimentação, o que pode indicar que o invasor está aguardando antes de transferir os recursos. Contexto: falhas recorrentes de entropia O episódio se soma a uma lista de casos em que a aleatoriedade presumida "forte" se mostrou fraca. Em 2013, uma falha no SecureRandom do Android repetiu nonces em assinaturas ECDSA e expôs chaves em várias carteiras de Bitcoin. Em 2022, o gerador de endereços vanity Profanity, envolvido no hack da Wintermute, usou 32 bits de entropia para semear chaves, permitindo a drenagem de US$ 160 milhões. Em 2023, a divulgação "Milk Sad" apontou que o comando bx seed do Libbitcoin Explorer usava um Mersenne Twister semeado pelo horário do sistema, derrubando a entropia esperada de 256 bits para algo próximo de 32 e expondo mais de 120 mil carteiras. Para a Galaxy, são bases de código diferentes e até redes distintas, mas o mesmo padrão: a fonte de aleatoriedade não era tão robusta quanto se supunha. Ari Redbord, chefe global de políticas da TRM Labs, avaliou que a autocustódia tende a transferir risco, não eliminá-lo. A leitura se alinha aos dados do H1 2026 da TRM Labs: compromissos de infraestrutura e de chaves responderam por 15% dos incidentes, mas por 76% das perdas financeiras em um total recorde de 207 eventos de hack. A Galaxy informou ter reportado cerca de 600 endereços suspeitos sob controle do atacante a investigadores federais, fornecedores de compliance e empresas de cibersegurança, ressaltando que a atribuição à Coldcard se baseia em heurísticas on-chain, e não em reconstrução computacional da seed para cada endereço. O conteúdo original foi publicado pelo Coinspeaker.