Investidores direcionam US$ 7 bilhões para ETFs de ouro e bitcoin em meio a críticas ao portfólio 60/40

Resumo de mercado por IA
Entradas recordes de US$7 bi em ETFs de ouro e Bitcoin (lideradas pelo GLD e pelo IBIT da BlackRock) sinalizam um renovado "debasement trade", à medida que investidores questionam a exposição integral a moeda fiduciária dos portfólios 60/40. O catalisador é a política: disparada da dívida dos EUA, yields elevados na ponta longa e a ampliação das recompras de títulos longos pelo Tesouro, o que os mercados interpretam como limitação dos yields em meio a déficits persistentes. Os fluxos parecem rotacionais, e não de aversão a risco, desviando a atenção de fundos de IA/semicondutores.
Nível de impacto
● Alto
Ativos afetados
BTC/USDT+0.29%
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▲ Altista
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Investidores alocaram um recorde de US$ 7 bilhões em fundos de ouro e de Bitcoin (BTC) em apenas cinco dias, em um movimento que recoloca em debate a eficiência do tradicional portfólio 60/40. Para Matt Hougan, CIO da Bitwise, o problema central é que essa estratégia fica 100% exposta à moeda fiduciária. Já Eric Balchunas, analista sênior de ETFs da Bloomberg, descreve o fluxo como a "aposta na desvalorização": posicionamento em ativos que governos não conseguem "imprimir". No acumulado da semana até 21 de agosto, o SPDR Gold Shares (GLD) registrou entradas de US$ 3,4 bilhões. O iShares Bitcoin Trust (IBIT), da BlackRock, atraiu pouco mais de US$ 1 bilhão, segundo dados. No mesmo período, o VanEck Semiconductor ETF (SMH) teve resgates de US$ 1,7 bilhão, a maior saída entre os fundos. O dinheiro não saiu do mercado; apenas mudou de direção. Balchunas escreveu: "DEBASER: ETFs de ouro e bitcoin somaram +US$ 7b em fluxos na última semana, de longe um recorde para um período de 5 dias, à medida que a aposta na desvalorização rouba a cena da IA. GLD e IBIT lideram, entre os 10 maiores da semana. Também vale notar que os fluxos de $IBIT no ano voltaram ao positivo, recuperando totalmente um buraco considerável". Hougan complementou com a lógica por trás da crítica: no 60/40, 60% está em ações e 40% em títulos. Os dois lados, no fim, são promessas precificadas em dólares e não protegem caso o próprio dólar perca poder de compra. Em meio ao cenário atual, investidores decidiram buscar mais diversificação. Essa fragilidade já ficou evidente antes. Em 2022, ações e títulos caíram juntos e a carteira 60/40 recuou cerca de 18%, o pior resultado desde 1937 (fontes: bilello.blog e nyu.edu). Recompras do Tesouro reacendem a "aposta na desvalorização" O gatilho vem de Washington. A dívida dos EUA ultrapassou US$ 40 trilhões em 19 de agosto. Dias antes, o rendimento do Treasury de 30 anos atingiu 5,337%, máxima desde 2007. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, respondeu dobrando as recompras de títulos longos para, no mínimo, US$ 4 bilhões por operação, a partir de 9 de setembro. O mercado leu a medida como uma tentativa de conter os juros de longo prazo enquanto os déficits seguem elevados — interpretação que pressiona o dólar e favorece ativos escassos. Bancos centrais chegaram antes a esse movimento. No fim de 2025, o ouro já representava 27% das reservas e superou os Treasuries dos EUA, com 22%, segundo dados do Banco Central Europeu. Os investidores mais conservadores do mundo já abriram espaço para ativos tangíveis. O bitcoin é negociado perto de US$ 79.144, com alta de 0,55% em 24 horas. O principal ETF de ouro acumula avanço de cerca de 8% em 2026 após um verão fraco. O IBIT, por sua vez, ainda recua aproximadamente 10% no ano. A recuperação também é recente. O IBIT ainda carregava uma perda de 33% em junho. Depois, as entradas diárias em ETFs de bitcoin chegaram a US$ 606 milhões em 20 de agosto, o maior volume em um único dia desde 1º de maio. A primeira recompra ampliada ocorre em 9 de setembro. Se os fluxos para ativos "duros" continuarem após essa data, o mercado pode estar, de fato, reconfigurando carteiras. Se arrefecerem, a semana terá sido apenas um episódio barulhento no mercado de títulos.