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Apple é processada após golpe de carteira cripto no iOS causar perdas de US$ 1,8 milhão
Três investidores em criptomoedas entraram com uma ação contra a Apple depois de perderem, juntos, US$ 1,8 milhão em Bitcoin ao baixar uma suposta carteira na App Store. O processo, apresentado em tribunal federal da Califórnia em 24-25 de julho de 2026, sustenta que a forma como a empresa promove a segurança da App Store pode configurar propaganda enganosa quando aplicativos fraudulentos conseguem permanecer disponíveis por meses.
No centro do caso está um detalhe decisivo: a Sparrow Wallet verdadeira não tem versão para iOS. Trata-se de um aplicativo apenas para desktop, disponível para Windows, macOS e Linux. Assim, qualquer app chamado "Sparrow Wallet" na App Store seria, por definição, uma imitação.
Os autores da ação relatam perdas individuais de US$ 875 mil, US$ 840 mil e US$ 120 mil. Segundo a denúncia, o aplicativo falso operou de maio a agosto de 2025 e copiava com fidelidade a identidade visual e a interface da Sparrow Wallet legítima. Após os usuários importarem ou criarem carteiras dentro do app adulterado, os recursos eram desviados de forma discreta para endereços controlados pelos golpistas.
Craig Raw, desenvolvedor da Sparrow Wallet original, teria alertado por anos sobre aplicativos que se passavam pelo seu produto na App Store. Mesmo com as reclamações, novas versões falsas continuaram surgindo. Para os autores, a repetição de denúncias seguida de falta de resposta efetiva é um dos pilares da tese.
O episódio se soma a outros golpes recentes explorando o ecossistema de aplicativos da Apple. Em abril de 2026, uma versão falsificada do Ledger Live apareceu na Mac App Store e teria roubado mais de US$ 9,5 milhões de mais de 50 vítimas, atingindo ativos como Bitcoin, Ethereum e Solana.
A Apple afirma que removeu os apps fraudulentos ligados ao caso da Sparrow e encerrou as contas de desenvolvedor associadas. A empresa também citou números de 2025: 193.000 contas de desenvolvedor desativadas e US$ 2,2 bilhões em transações potencialmente fraudulentas bloqueadas.
O caso chama atenção para um ponto sensível das carteiras de autocustódia. Ao contrário de aplicativos bancários, em que uma fraude pode acionar mecanismos de monitoramento e contestação, na autocustódia o usuário tem controle total dos fundos e não conta com rede de proteção. Se um golpista obtém a seed phrase ou induz a assinatura de uma transação maliciosa, os ativos desaparecem. Não há estorno, nem central de atendimento capaz de reverter.
A ação questiona diretamente as alegações de marketing da Apple sobre segurança na App Store. A companhia costuma apresentar seu modelo fechado e o processo de revisão como uma camada de proteção contra ameaças desse tipo. A acusação resume a tese assim: a Apple teria garantido um ambiente seguro, os usuários confiaram e isso custou quase US$ 2 milhões.
Para investidores e usuários de ativos digitais, o recado é claro: aprovação de plataforma não equivale a autenticidade. A recomendação prática é conferir aplicativos de carteira pelo site oficial do desenvolvedor. Neste caso, uma checagem de 30 segundos no site da Sparrow Wallet mostraria que não existe versão para iOS, verificação que, segundo o texto do processo, poderia ter evitado o prejuízo de US$ 1,8 milhão.