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Multicoin Capital e Hyperliquid endossam proposta da CFTC para regular mercados de previsões
A Multicoin Capital e o Hyperliquid Policy Center protocolaram uma carta conjunta de comentários à CFTC, apoiando o arcabouço proposto pela agência para regular mercados de previsão. O documento, enviado em 27 de julho, defende que a CFTC seja a única autoridade federal responsável por esses contratos, com base na Commodity Exchange Act.
O envio ocorre em meio a uma dinâmica curiosa: Kyle Samani, cofundador da Multicoin Capital e que deixou a empresa no início de fevereiro de 2026, tem criticado publicamente a Hyperliquid. Ainda assim, a gestora que ele ajudou a construir supostamente mantém mais de US$ 40 milhões em tokens HYPE.
O que a carta propõe
A manifestação tem como foco a proposta de Regulation 40.11 da CFTC, desenhada para organizar um segmento que cresceu rapidamente. O texto apresenta três pontos centrais.
1) Supervisão federal exclusiva via Commodity Exchange Act. A carta rejeita uma colcha de retalhos de regras estaduais e disputas de jurisdição, defendendo um único regulador e um conjunto único de normas.
2) Avaliação baseada em liquidação (settlement-based assessment). A recomendação é que a CFTC classifique e avalie esses produtos pelo modo como são liquidados e pagos, e não pelo tema a que se referem. Um contrato sobre resultado eleitoral, por exemplo, liquida em dólares, não em votos.
3) Transparência no processo decisório. As signatárias pedem divulgação pública de como a CFTC toma decisões ao avaliar esses mercados.
O debate ganha tração num momento em que mercados de previsão deixaram de ser nicho. O volume mensal combinado ultrapassou recentemente US$ 50 bilhões, com cerca de US$ 44,8 bilhões registrados em junho de 2026 nas principais plataformas.
A aposta da Hyperliquid em contratos de resultado
A Hyperliquid lançou seus contratos de resultado por meio da atualização de protocolo HIP4, em maio de 2026. Os contratos são totalmente colateralizados em USDC e não oferecem alavancagem. A liquidação se baseia em fontes objetivas validadas pelos validadores da plataforma, distribuindo a responsabilidade por um conjunto de validadores em vez de concentrá-la em uma infraestrutura centralizada.
O Hyperliquid Policy Center, que coassinou a carta, aparenta atuar como braço de relacionamento regulatório do protocolo.
O paradoxo Samani
Kyle Samani transformou a Multicoin Capital em uma das venture firms mais influentes do setor cripto e manteve relação estreita com Solana, participando de rodadas relevantes de financiamento da blockchain de Layer 1. Ele deixou a empresa no início de fevereiro de 2026 e, desde então, passou a criticar a Hyperliquid. Isso cria um contraste: a gestora que fundou agora se engaja com um protocolo que ele questiona publicamente.
De acordo com informações disponíveis, a Multicoin mantém mais de US$ 40 milhões em HYPE. Na prática, a direção institucional da Multicoin se descolou das posições pessoais do cofundador.
Implicações para investidores
A carta do Hyperliquid Policy Center e da Multicoin funciona como uma defesa de um regulador federal único, com regras claras e neutras em tecnologia. A alternativa — um mosaico estadual em que Nova York diz uma coisa e o Texas outra — aumentaria custos e complexidade de compliance.
Para plataformas como a Hyperliquid, que estruturaram produtos com colateralização integral e liquidação descentralizada, um marco federal ancorado na mecânica de liquidação pode ser um vento favorável. O risco é que exigências de registro para bolsas de mercados de previsão levem protocolos a centralizar funções-chave ou a abandonar o mercado dos EUA.